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AGRONEGÓCIO | ECONOMÍA

Reflexos da economia no consumo doméstico de carne.
Demanda interna por produtos de maior valor agregado, como carne bovina e queijos, foi prejudicada pela queda na renda da população e aumento do desemprego.


Foto Reprodução

O Brasil entrou em recessão econômica em 2015 e 2016, quando foram registradas duas quedas consecutivas no Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
 

Nos anos seguintes (2017, 2018 e 2019), a economia nacional ainda sentiu os efeitos dessa recessão, que elevou o desemprego e fez cair a renda da população e, consequentemente, o consumo doméstico. Nesse período, o PIB brasileiro “patinou”, registrando ligeiro incremento na comparação anual.
 

Para 2020, inicialmente as expectativas eram mais positivas com relação a uma recuperação na economia brasileira, mas, com o início da pandemia da Covid-19, em março, houve fechamento de estabelecimentos comerciais e restrição da circulação da população, que refletiram em queda da demanda interna e agravamento da crise econômica no Brasil.
 

Com isso, o PIB nacional registrou queda de 4,1% em 2020, em comparação ao ano anterior, segundo informações do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central. Para 2021, a projeção é de aumento de 3,5% em relação ao ano passado. Veja a figura abaixo.

Figura 1.
Variação do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e projeções.

Fonte: Banco Central | Elaborado por Scot Consultoria

Impactos no consumo doméstico de carne e outros produtos

Os produtos de maior valor agregado foram os que tiveram o consumo mais prejudicado pela queda na renda da população e pelo desemprego.
 

Nesse contexto, as demandas por carne de frango e ovos, produtos mais baratos em comparação com as proteínas suínas e bovina, aumentaram.
 

O mercado de queijos e outros lácteos de maior valor agregado, como iogurtes, também foi prejudicado pela situação econômica do país e fechamento e/ou restrição de funcionamento de estabelecimentos comerciais.
 

Veja mais detalhes sobre os impactos do da Covid-19 e a crise econômica no Brasil no artigo Mercado do leite: de olho nos custos de produção e na demanda interna. No caso desse mercado, especificamente, a questão da demanda doméstica ganha ainda mais importância pelo fato de mais de 90% da produção ser consumida no próprio país, sendo as exportações de lácteos uma pequena via de escoamento por ora.
 

Outro ponto que merece atenção foi a mudança no perfil de consumo de alguns produtos, como as carnes, cuja demanda nos supermercados aumentou, diante de uma queda no consumo desses produtos em restaurantes, em função das medidas de restrição de circulação da população.
 

Observe, na figura 2, a evolução do Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), da Confederação Nacional do Comércio (CNC).
 

Houve queda expressiva na intenção de consumo desde o início da pandemia. No final de 2020, iniciou-se um movimento (ligeiro) de recuperação, mas, com o indicador caindo novamente em abril, com os casos de Covid-19 aumentando no país naquele momento. O patamar atual é 24,2% abaixo na comparação anual.
 

Figura 2.
Evolução do Índice de Consumo das Famílias (ICF).

Fonte: CNC Z | Elaborado por Scot Consultoria

Por ora, a retomada do pagamento do auxílio emergencial pelo governo, em abril, não refletiu em aumento da demanda interna por lácteos e carnes no mercado interno. O que temos observado é a manutenção do consumo de produtos da cesta básica.
 

No caso das carnes, as exportações brasileiras em bom ritmo esse ano, em especial para a China, têm ajudado no escoamento da produção.

Câmbio

Depois de atingir os R$ 5,80 no final de março e “ensaiar” algumas altas ao longo de abril, o dólar recuou em relação ao real em maio, em função das expectativas mais positivas com relação à recuperação da economia global, em especial no segundo semestre, além do risco de alta inflacionária, principalmente nos Estados Unidos.
 

Observe, na figura abaixo, que a moeda norte-americana esteve cotada entre R$ 5,25 e R$ 5,35/US$ na segunda metade de maio deste ano.

Figura 3.
Evolução da cotação do dólar, em reais.

Fonte: Bacen | Elaborado pela Scot Consultoria

Os recuos no câmbio tendem a impactar negativamente as exportações brasileiras de grãos e proteínas, mas o patamar atual do dólar ainda está favorável à competitividade dos produtos brasileiros, no mercado internacional, para exportação.
 

Por outro lado, para o pecuarista, a queda no dólar traz um alívio do lado dos custos de produção, principalmente para os grãos e fertilizantes.
 

Para o final de 2021, o Banco Central aponta para um câmbio de R$5,30/US$, segundo o Boletim Focus divulgado do dia 21 de maio de 2021.
 

O que esperar pela frente?

Uma melhoria na economia brasileira está atrelada ao controle dos casos de Covid-19 no país e, nesse sentido, o avanço da vacinação da população é fundamental.
 

As expectativas são mais positivas para o segundo semestre, mas ainda há muitas incertezas com relação à velocidade dessa recuperação, principalmente nos setores mais atingidos pela crise.
 

Dessa forma, a expectativa com relação à demanda interna (foco na carne bovina e nos produtos lácteos) é de um ritmo mais lento esse ano, a exemplo de 2020.
 

Por outro lado, a demanda mundial por grãos e proteínas, mais uma vez com destaque para a China, deverá seguir em bons volumes, colaborando com a sustentação dos preços no mercado do boi gordo e da soja, principalmente.

 

Rafael Ribeiro de Lima Filho, zootecnista. Msc.
Scot Consultoria 

Fonte: Pasto Extraordinario




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